sábado, 11 de maio de 2013

Caboclo - Olindo Santana

Caboclo também ri,
Também brinca
E até trabalha, até vive.
Na mata, na cidade
Caboclo também pensa!
Contrário ao que  pensam
Ou pensam não.
Caboclo faz poesia,
Vive poesia, dia a dia.
Faz rimas, cria cutia,
( Rimas cria )
Quando entra na floresta,
Quando rema pelo rio,
Quando ouve o assobio
Que são tantos,
Meio ao silêncio ou ao canto
De toda natureza em festa.
Caboclo nem tem pressa,
Não tem relógio nem tem tempo,
Porque a vida corre solta
Como solta foge a canoa,
Sem direção, sem contra-mão.
Caboclo come pirarucu:
- Tá preocupado com bacalhau!
Cujo preço, lhe faz mal.
Caboclo tem sangue nordestino,
Mas também é português,
Italiano, alemão...
Caboclo já fala até inglês,
( Assiste televisão e vive na internet )!
Ah! masca até chiclete!
Caboclo conversa com mata,
Conhece a mãe-da-água,
E sabe quando vai chover.
Manda mensagem no vento,
Não porque faltar celular:
Porque vento é amigo
E caboclo quer preservar.
Caboclo é inteligente!
Vive a vida cabocla de ser
Da manhã ao anoitecer.
Caboclo só quer viver!
Ser feliz, pra feliz ser.