quinta-feira, 30 de maio de 2013

Fale - Olindo Santana

Informe à minha felicidade,
com que força o desespero,
invade a minha mocidade.

Fale do instante primeiro.
Das tantas lágrimas de saudade.
Da solicitação do meu enterro.

Que os sonhos todos desfeitos,
mendigaram nus pelas sarjetas,
aqueles momentos mais perfeitos.

Que encontram aquelas sujeitas,
essas que o pecado oferece,
e pela vida são mal aceitas...

Porque nenhuma alma carece.

Fale por fim do meu final.
Dos meus retalhos de mim.
Da minha descrição sobrenatural!

Porque deixou-me, no ínterim,
aquele adeus que por banal,
uma incapacidade sem fim

de ver a luz no túnel final.