quinta-feira, 4 de abril de 2013

Poética - Manuel Bandeira

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
                 [protocolo e manifestação de apreço ao sr. diretor.

Estou farto do lirismo que para e vai averiguar no dicionário
                 [o cunho vernáculo de um vocábulo

Abaixo os puristas

Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
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Quero antes o lirismo do louco
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbados
O lirismo dos clowns de Shakespeare

Não quero mais saber do lirismo
                 [que não é libertação.





Manuel Bandeira ( já linguista ) criticando certas formalidades poéticas que acabam até limitando o processo criativo, além de amarrar a poesia como uma forma estática. A liberdade criativa não se prende a normas e regras. A mesmice de outrora impede que a arte evolua ou no mínimo não desempenhe com competência sua função social, humanista, entre outras.